sexta-feira, 23 de março de 2012

ADMIRAÇÃO SEM MEDIDAS


O maior bem do mundo, que nem sempre damos o valor que se deveria, o valor que se merecem, algumas pessoas esperam a morte vir e levar para perceber o quanto amava e o quanto faz falta em nossas vidas, eu sempre dei valor, mas percebi que poderia fazer bem mais...

Sempre fomos super amigas, dividindo segredos e aventuras...
Mas nosso mundo estaria prestes a mudar, nossa vida seria outra...
Em meus meados 20 anos, minha mãe veio me dizendo que haveria uma possibilidade de estar grávida pela terceira vez, momentaneamente eu achei que seria praticamente impossível, até brinquei com a famosa menopausa.
Então mames resolveu fazer um teste de gravidez, e quem foi buscar o resultado? “EU”

Me senti constrangida, nem sabia ler o resultado, então liguei para minha mãe e disse:
“Então, não sei muito bem o que ta dizendo aqui, mas acho que a Srª está grávida”
Depois disso veio a confirmação, então eu e minha irmã ficamos totalmente apreensivas, pensamos que poderia ser um menininho, escolhemos milhares de nomes e já nos condecoramos as madrinhas. rsrs Acredito até que minha mãe não teria escolhas.
 
Os meses se passaram e então vieram as complicações, pressão alta, 3 dias de internação no Hospital Odilon Behrens, e apenas 8 meses de gestação... Marianna estava apressadinha para curtir o carnaval (estávamos em janeiro).

Após a alta hospitalar voltamos para casa, mas devido ao aumento de pressão me lembro que tivemos que retornar as pressas pela manhã de domingo.

Estava de férias do meu primeiro emprego, então acompanhei minha mãe sempre, ficava com ela durante a noite, e durante o dia revesava com meu pai ou com algum parente, ia para casa apenas almoçar e dormir um pouco e então retornava.

Após meses de grande medo acompanhando minha mãe para os exames mensais, e ela com a pressão sempre alterada, percebi que haveria bem mais a agüentar...

Meu pai sempre com aspecto preocupado e sem rumo, pois acredito que mesmo sendo rústico e não demonstrando carinho até hoje, ele estava sufocando por dentro, assim como eu e Marilia (irmã).

Me recordo que fui com meu pai para visitar minha mãe no quarto em que ela estava internada, quando cheguei meu coração se despedaçou, mas tentei me manter firme diante a situação... Vi minha mãe que tanto amo deitada com uma roupa hospitalar,
soro na veia, sonda, e outras aparelhos mais...

Naquela noite, me lembro que cheguei em casa querendo deitar e chorar o resto da noite, mas então minha irmã veio chorosa me perguntando... “como esta nossa mãe?”
Eu senti dentro do coração que não deveria dizer em que situação meus olhos puderam enxergar nossa mãe, então eu apenas a tranqüilizei... “ela está bem, fica tranqüila”.


Resumindo... No outro dia meu pai foi para casa, durante a noite e eu novamente fiquei, pois minha irmã nasceria no dia seguinte pela manhã, mas em tentativa de parto normal, os médicos colocaram remédios em minha mãe para forçar o parto natural, ela tomava também remédios aplicados junto ao soro.

Eu já não sabia o que fazer, percebia que minha mãe estava fraca e sofrendo, jamais imaginei uma situação daquelas, eu perguntava se estava tudo bem e ela apenas dizia que sim, no fundo eu sabia que ela sofria e estava apenas tentando me tranqüilizar.

Meu corpo estava paralisado por ver tudo aquilo, por sentir incomodo na sonda minha mãe pediu que eu ajustasse, então eu vi tanto sangue que senti mais medo ainda, os médicos entravam e agiam naturalmente, então me sentia tranqüilizada, eles usaram aparelho para ouvir o coração da Marianna que batia forte, o que arrancava breves sorrisos...

Por volta de 11:30 horas do dia 31 de janeiro de 2010, fomos avisadas de que o parto aconteceria naquela noite, liguei para minha casa e avisei a família, minha mãe foi preparada e “eu acompanharia o parto”.

Quando entrei, por volta de meia noite do dia 01 de fevereiro, me sentei ao lado da cabeça da minha mãe, minha mente se prendeu em apenas uma coisa, “Deus proteja e não tire a vida de quem eu tanto amo e desejo ter por muitos anos ao meu lado”. Ouvia apenas a voz de uma médica dizendo, risco, risco, risco, pensei que perderia minha mãe naquela noite, pré-eclampse grave, e apenas 8 meses de gestação.

“Dia que jamais esquecerei.”

Apenas observando e desejando que tudo passasse logo, que eu pudesse voltar pra minha casa e ter minha família de volta, “agora com mais um membro”.

Meus olhos se encheram de água, eu ao lado de minha mãe, fui a primeira a ver o corpinho perfeito da minha irmãzinha Marianna, chorei tanto e minha mãe ao ver que eu estava emocionada também começou a chorar, e quando tudo terminou deixei minha mãe e minha irmã na sala de parto e liguei para minha casa. Quando falei com meu pai, senti aquela voz que era sempre firme sendo agora transformada em voz de emoção, ele parecia chorar do outro lado.

Tudo deu certo, Marianna viva e minha mãe também, a nossa bebezinha ainda ficou internada por muito tempo, ligada a aparelhos e recebendo medicação, eu há reconheci no meio de milhares de crianças tendo-a visto apenas uma vez.

“Lembro-me que quando ela foi para casa eu sempre chegava perto para sentir a respiração.”

Sinto grande orgulho e sentimento pela pessoa que mais poderia amar em minha vida, mais que a luz me concedeu, me da até hoje amizade, me guiando em meus caminhos, sem criticas, mas me aconselhando em cada decisão, e posso até hoje ver em seus olhos o sofrimento quando uma de nós se magoa ou se machuca...

Hoje sei ainda mais o valor que minha mãe tem, pois alem de ser minha mãe, ela é minha comadre, rsrsrsrs e eu participei de tudo.

Mãe o que mais eu poderia dizer agora? Eu te amo muito, obrigado por tudo.
Para: Valdirene Silva Lima ( mamãe que tanto amo e admiro ).

Quem quiser conhecer minha maninha Marianna entra no post que escrevi para ela neste mesmo blog:

Flavia Silva Lima      23.03.2012             10:25

Twitter - @Flavinha_uai
Orkut –   flaviasl11@hotmail.com  
 

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