O maior bem do mundo, que nem sempre damos o valor que se
deveria, o valor que se merecem, algumas pessoas esperam a morte vir e levar
para perceber o quanto amava e o quanto faz falta em nossas vidas, eu sempre
dei valor, mas percebi que poderia fazer bem mais...
Sempre fomos super amigas, dividindo segredos e aventuras...
Mas nosso mundo estaria prestes a mudar, nossa vida seria
outra...
Em meus meados 20 anos, minha mãe veio me dizendo que
haveria uma possibilidade de estar grávida pela terceira vez, momentaneamente
eu achei que seria praticamente impossível, até brinquei com a famosa
menopausa.
Então mames resolveu fazer um teste de gravidez, e quem foi
buscar o resultado? “EU”
Me senti constrangida, nem sabia ler o resultado, então
liguei para minha mãe e disse:
“Então, não sei muito bem o que ta dizendo aqui, mas acho
que a Srª está grávida”
Depois disso veio a confirmação, então eu e minha irmã
ficamos totalmente apreensivas, pensamos que poderia ser um menininho,
escolhemos milhares de nomes e já nos condecoramos as madrinhas. rsrs Acredito
até que minha mãe não teria escolhas.
Os meses se passaram e então vieram as complicações, pressão
alta, 3 dias de internação no Hospital Odilon Behrens, e apenas 8 meses de
gestação... Marianna estava apressadinha para curtir o carnaval (estávamos em
janeiro).
Após a alta hospitalar voltamos para casa, mas devido ao
aumento de pressão me lembro que tivemos que retornar as pressas pela manhã de
domingo.
Estava de férias do meu primeiro emprego, então acompanhei
minha mãe sempre, ficava com ela durante a noite, e durante o dia revesava com
meu pai ou com algum parente, ia para casa apenas almoçar e dormir um pouco e
então retornava.
Após meses de grande medo acompanhando minha mãe para os
exames mensais, e ela com a pressão sempre alterada, percebi que haveria bem
mais a agüentar...
Meu pai sempre com aspecto preocupado e sem rumo, pois
acredito que mesmo sendo rústico e não demonstrando carinho até hoje, ele
estava sufocando por dentro, assim como eu e Marilia (irmã).
Me recordo que fui com meu pai para visitar minha mãe no
quarto em que ela estava internada, quando cheguei meu coração se despedaçou,
mas tentei me manter firme diante a situação... Vi minha mãe que tanto amo
deitada com uma roupa hospitalar,
soro na veia, sonda, e outras aparelhos mais...
Naquela noite, me lembro que cheguei em casa querendo deitar
e chorar o resto da noite, mas então minha irmã veio chorosa me perguntando... “como
esta nossa mãe?”
Eu senti dentro do coração que não deveria dizer em que
situação meus olhos puderam enxergar nossa mãe, então eu apenas a
tranqüilizei... “ela está bem, fica tranqüila”.
Resumindo... No outro dia meu pai foi para casa, durante a
noite e eu novamente fiquei, pois minha irmã nasceria no dia seguinte pela
manhã, mas em tentativa de parto normal, os médicos colocaram remédios em minha
mãe para forçar o parto natural, ela tomava também remédios aplicados junto ao
soro.
Eu já não sabia o que fazer, percebia que minha mãe estava fraca
e sofrendo, jamais imaginei uma situação daquelas, eu perguntava se estava tudo
bem e ela apenas dizia que sim, no fundo eu sabia que ela sofria e estava
apenas tentando me tranqüilizar.
Meu corpo estava paralisado por ver tudo aquilo, por sentir
incomodo na sonda minha mãe pediu que eu ajustasse, então eu vi tanto sangue
que senti mais medo ainda, os médicos entravam e agiam naturalmente, então me
sentia tranqüilizada, eles usaram aparelho para ouvir o coração da Marianna que
batia forte, o que arrancava breves sorrisos...
Por volta de 11:30 horas do dia 31 de janeiro de 2010, fomos
avisadas de que o parto aconteceria naquela noite, liguei para minha casa e
avisei a família, minha mãe foi preparada e “eu acompanharia o parto”.
Quando entrei, por volta de meia noite do dia 01 de
fevereiro, me sentei ao lado da cabeça da minha mãe, minha mente se prendeu em
apenas uma coisa, “Deus proteja e não tire a vida de quem eu tanto amo e desejo
ter por muitos anos ao meu lado”. Ouvia apenas a voz de uma médica dizendo,
risco, risco, risco, pensei que perderia minha mãe naquela noite, pré-eclampse
grave, e apenas 8 meses de gestação.
“Dia que jamais esquecerei.”
Apenas observando e desejando que tudo passasse logo, que eu
pudesse voltar pra minha casa e ter minha família de volta, “agora com mais um
membro”.
Meus olhos se encheram de água, eu ao lado de minha mãe, fui
a primeira a ver o corpinho perfeito da minha irmãzinha Marianna, chorei tanto
e minha mãe ao ver que eu estava emocionada também começou a chorar, e quando
tudo terminou deixei minha mãe e minha irmã na sala de parto e liguei para
minha casa. Quando falei com meu pai, senti aquela voz que era sempre firme
sendo agora transformada em voz de emoção, ele parecia chorar do outro lado.
Tudo deu certo, Marianna viva e minha mãe também, a nossa
bebezinha ainda ficou internada por muito tempo, ligada a aparelhos e recebendo
medicação, eu há reconheci no meio de milhares de crianças tendo-a visto apenas
uma vez.
“Lembro-me que quando ela foi para casa eu sempre chegava perto para
sentir a respiração.”
Sinto grande orgulho e sentimento pela pessoa que mais
poderia amar em minha vida, mais que a luz me concedeu, me da até hoje amizade,
me guiando em meus caminhos, sem criticas, mas me aconselhando em cada decisão,
e posso até hoje ver em seus olhos o sofrimento quando uma de nós se magoa ou
se machuca...
Hoje sei ainda mais o valor que minha mãe tem, pois alem de
ser minha mãe, ela é minha comadre, rsrsrsrs e eu participei de tudo.
Mãe o que mais eu poderia dizer agora? Eu te amo muito,
obrigado por tudo.
Para: Valdirene Silva Lima ( mamãe que tanto amo e admiro ).
Quem quiser conhecer minha maninha Marianna entra no post
que escrevi para ela neste mesmo blog:
Twitter -
@Flavinha_uai
Orkut
– flaviasl11@hotmail.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário